Lula promete Pé-de-Meia universitário: R$ 700 por mês e R$ 2,5 mil ao fim de cada ano
Candidato não informou custo, critério de renda nem origem do dinheiro, segundo a Agência Brasil
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, anunciou nesta terça-feira (13) que criará uma versão universitária do programa Pé-de-Meia em um eventual próximo mandato. Em vídeo gravado no formato selfie, com jovens ao fundo, ele prometeu depósitos de R$ 700 por mês durante dez meses e mais R$ 2,5 mil ao final de cada ano de curso. A informação é da Agência Brasil.
O que Lula prometeu
O vídeo foi publicado nas redes sociais do candidato. "Como o curso é de quatro anos, quando ele se formar, ele terá R$ 10 mil para começar sua iniciação profissional. Esse é o Brasil do futuro dos nossos estudantes", disse Lula.
A conta, com os números citados no vídeo:
- R$ 700 por mês, em dez meses: R$ 7.000 por ano, pagos durante o curso;
- R$ 2,5 mil ao fim de cada ano: R$ 10 mil em quatro anos, o valor que Lula diz que o estudante terá ao se formar;
A Agência Brasil não informa critério de renda, tipo de instituição (pública ou privada), número de beneficiários, fonte do dinheiro nem estimativa de custo. Sem esses dados, não é possível calcular quanto a proposta custaria ao Tesouro. Também não há registro, na reportagem, de resposta da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao anúncio.
Como funciona hoje o Pé-de-Meia
A versão escolar foi criada em 2024. É um incentivo financeiro-educacional pago pelo governo federal para estimular a permanência e a conclusão do ensino médio público. Em 2026, segundo as regras vigentes, o aluno recebe R$ 200 de incentivo-matrícula, até nove parcelas mensais de R$ 200 por frequência e R$ 1.000 por série concluída, retidos como poupança até a formatura. Quem faz o Enem no 3º ano recebe mais R$ 200. A família precisa estar no CadÚnico, com renda de até meio salário mínimo por pessoa.
Ou seja, a proposta universitária tem valores mensais mais de três vezes maiores que os do ensino médio (R$ 700 contra R$ 200), mas mantém o desenho de poupança retida até o fim do curso.
A discussão sobre o orçamento do programa
O Pé-de-Meia já é alvo de questionamento no Tribunal de Contas da União (TCU). Em 25 de agosto, ministros da corte criticaram o uso de um fundo, o Fipem, para pagar o programa sem que o dinheiro passe pelo Orçamento Geral da União, pela Conta Única do Tesouro e pelo Siafi, segundo relato do Poder360. O ministro Jorge Oliveira disse que cabe ao tribunal atuar de forma "tempestiva e firme" para impedir que mecanismos excepcionais virem prática recorrente. Uma cautelar proposta pelo ministro Walton Alencar Rodrigues para suspender repasses foi derrubada por 5 votos a 3.
É nesse contexto que a promessa chega: o programa usado como modelo tem o financiamento questionado pelo órgão de controle, e a reportagem não traz a origem dos recursos da versão universitária.
O que mais Lula anunciou no dia
Pela manhã, no Palácio do Planalto, o governo apresentou um pacote de cinco medidas para microempreendedores individuais, com foco em reduzir o endividamento, ampliar o acesso a crédito, elevar o teto de faturamento e simplificar regras. Já sobre o impacto fiscal do pacote, leia nossa cobertura do perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas de MEIs. E veja como a campanha reagiu à pressão pelo fim da escala 6x1, tema do dia.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. A proposta do Pé-de-Meia universitário só sairia do papel com projeto de lei e previsão no Orçamento, se Lula for reeleito.
Fonte: Agência Brasil (13/10/2026); Poder360 (25/08/2026).