Eleições 2026

Lula pede ao TSE que sigilos dos dois candidatos sejam abertos se Flávio aceitar

Lula autorizou o TSE a levantar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico se Flávio Bolsonaro fizer o mesmo. Veja o que pede a petição e a reação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, enviou nesta terça-feira, 20, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento que autoriza o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de seus familiares, com uma condição: que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno, faça o mesmo. A votação é no domingo, 25.

Segundo a Agência Brasil, a petição foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques. No documento, Lula diz cumprir a promessa feita no debate da TV Band, no domingo, 18, quando desafiou o rival a abrir as próprias informações ao eleitor. O que foi dito naquele confronto está no resumo do debate publicado pelo Resenhando.

O que diz o requerimento

O pedido cobre os últimos oito anos. Do lado de Lula, entram a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e os cinco filhos: Lurian Cordeiro, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio Lula da Silva. Do lado de Flávio, a petição pede o mesmo para ele, para a esposa, Fernanda, para os pais, o ex-presidente Jair Bolsonaro e a suplente de deputada federal Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), e para os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan.

O texto estende o desafio às empresas dos candidatos. "Este desafio e autorização também abrangem as pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores, bem como aquelas em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros", diz a peça.

A lista de empresas é desigual. A petição cita uma única pessoa jurídica ligada a Lula, a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., e relaciona cinco ligadas a Flávio, entre elas uma offshore. A reportagem da Agência Brasil não detalha os nomes dessas cinco empresas, e o Resenhando não os confirmou em outra fonte.

O requerimento também fixa um prazo. Segundo o documento, a divulgação pública dos dados dos dois candidatos deveria ocorrer antes da próxima quarta-feira, 21, data que a peça trata como necessária para o eleitor decidir o voto. A Agência Brasil não detalha a base legal do pedido nem registra decisão do tribunal sobre ele.

Em evento de campanha no mesmo dia, Lula reforçou o desafio. "Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é que é ladrão nesse país, quem é que é corrupto. E eu quero ver se ele tem coragem", disse.

A resposta do outro lado

A reportagem da Agência Brasil não traz manifestação de Flávio Bolsonaro sobre o requerimento. O candidato a vice na chapa do senador, Alfredo Gaspar, respondeu ao desafio na terça, em Belo Horizonte, ao ser questionado durante o Encontro de Lideranças em Defesa de Minas e do Brasil, organizado pelo PL mineiro, segundo o Metrópoles.

"Flávio é o candidato mais transparente. O Lula nem conta tem, trabalha com dinheiro sujo por meio de laranja. O filho dele tá lá na Espanha com o dinheiro roubado dos aposentados. A Justiça vai alcançá-lo", declarou Gaspar. A fala reproduzida pelo Metrópoles não apresenta prova das acusações, e o Resenhando não localizou, até a publicação, resposta da campanha de Lula a elas.

O tema dos sigilos nasceu no debate da Band. As propostas de segurança pública apresentadas por Flávio no mesmo confronto estão em outra matéria.

Nas matérias consultadas até a publicação, não havia decisão do TSE sobre o requerimento. A quarta-feira, 21, é o limite que o próprio pedido de Lula fixou para a divulgação dos dados.