Eleições 2026

Flávio quer ampliar escolas cívico-militares e criar voucher-creche; veja o plano de Lula

Levantamento compara as propostas dos dois candidatos para educação, da creche à pós-graduação

Neste texto3 tópicos
  1. O que Flávio Bolsonaro propõe
  2. O que Lula propõe
  3. Onde os planos se encontram

Os planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a educação divergem na ênfase e no modelo, segundo levantamento publicado nesta quinta-feira (15) pela Agência Brasil, a dez dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O senador do PL promete expandir as escolas cívico-militares e criar um voucher-creche. O presidente quer ampliar o tempo integral e manter o Pé-de-Meia.

A Agência Brasil observa que o tema teve menos espaço na campanha por causa do caso Master. Os dois candidatos, porém, registraram propostas para todas as etapas de ensino.

O que Flávio Bolsonaro propõe

O plano do candidato do PL coloca a educação no eixo "Brasil que prepara", ligada à família e ao mercado de trabalho. Ele defende "uma escola que ensina, e não que doutrina, respeitando os valores que os pais passam em casa".

Entre as medidas, está expandir as escolas cívico-militares, modelo que foi bandeira do governo de Jair Bolsonaro por meio do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim). Nele, a gestão da escola passava à Polícia Militar, com foco em disciplina, e as secretarias de Educação cuidavam da parte pedagógica. O voucher-creche daria à família um valor para pagar vaga na rede privada credenciada quando não houver vaga pública; a Agência Brasil registra que o plano não detalha de onde viriam os recursos.

Na alfabetização, a prioridade é o método fônico, que associa sons e letras. No ensino técnico, o plano quer aproximar escolas e empresas, com bolsas financiadas pelo setor produtivo. No superior, propõe transferir a governança das universidades do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e adotar o Empréstimo Contingente à Renda, em que o pagamento só começa depois que o formado entra no mercado de trabalho. Os repasses do orçamento para estados e municípios ficariam condicionados ao cumprimento de metas de aprendizagem.

Flávio também propõe o Programa Acolher, em que alunos de bom desempenho recebem remuneração para dar reforço a colegas, e levar robótica, computadores e internet às escolas.

O que Lula propõe

O plano de Lula trata a educação como "pacto inegociável com o futuro". A prioridade é a jornada ampliada, de pelo menos sete horas diárias, para superar os 25,8% de matrículas em tempo integral na educação básica. O texto cita 1,8 milhão de matrículas novas entre 2023 e 2025.

Na creche, o presidente promete seguir com a construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios pelo Novo PAC. Também quer manter o reajuste do Piso Nacional do Magistério, mexer no Pé-de-Meia (o plano diz "aprimorar", sem detalhar), que alcançou 7,3 milhões de estudantes desde 2024, e criar 111 novos institutos federais, com campi em 106 municípios. Segundo a Agência Brasil, Lula afirmou recentemente que pretende levar o Pé-de-Meia ao ensino superior, ponto que não consta do plano registrado.

Na meta de alfabetização, o governo fala em 80% das crianças alfabetizadas na idade certa até 2030. A Agência Brasil informa que o país chegou a 66% em 2025 e superou a meta daquele ano.

No ensino superior, o plano de Lula prevê verbas de custeio e investimento em laboratórios, restaurantes e salas de aula, além da conclusão de novas universidades: a unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, a Universidade Indígena e a Universidade Federal do Esporte, as duas últimas em Brasília. Ele também cita novos hospitais universitários da rede HU Brasil.

Onde os planos se encontram

Os dois candidatos apoiam a escola em tempo integral e a ampliação do ensino técnico. A divergência está no caminho: Flávio aposta na parceria com empresas e em vouchers; Lula, na expansão da rede pública e dos institutos federais.

O Resenhando já comparou os planos dos dois na área de cultura e registrou a audiência na Comissão Mista de Orçamento sobre o financiamento da educação infantil e das creches. As propostas aqui descritas vêm dos planos de governo dos candidatos, conforme a reportagem da Agência Brasil. A reportagem original não traz comentário das campanhas sobre as propostas.