Meio ambiente nos planos de Lula e Flávio: desmatamento zero até 2030 contra fim do ilegal até 2029
Compare as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para clima, desmatamento, bioeconomia e povos tradicionais, segundo a Agência Brasil no segundo turno.
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Os programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno tratam o meio ambiente de formas bem diferentes, segundo levantamento publicado nesta terça-feira, 13, pela Agência Brasil. O plano do petista coloca a mudança do clima como eixo e emergência. O do candidato do PL usa o tema uma única vez com esse enquadramento e prefere falar de conservação como ativo econômico.
Clima: emergência ou ativo econômico
A expressão "mudanças climáticas" aparece 38 vezes no programa de Lula, que reúne ações de mitigação e de adaptação. Entre elas, estão a recuperação de bacias hidrográficas, obras de segurança hídrica, prevenção de desastres, contenção de encostas e drenagem urbana sustentável. O texto inclui a Caatinga como ativo estratégico no combate à desertificação.
No plano de Flávio, o tema entra na expressão "eventos climáticos extremos". As propostas vão para infraestrutura hídrica, com barragens de usos múltiplos, reservatórios de controle de cheias e drenagem, e para o reforço do monitoramento e da resposta da Defesa Civil. O programa também defende mercado regulado de carbono, bioeconomia e pagamento por serviços ambientais. Para a reportagem, essas medidas aparecem sem a discussão de adaptação que, segundo a Agência Brasil, daria sustentação a elas.
Desmatamento e floresta
Lula reafirma a meta de desmatamento zero até 2030, com planos de controle na Amazônia e no Cerrado, manejo integrado do fogo e criação de reservas particulares. Flávio propõe zerar só o desmatamento ilegal até 2029, por meio de fiscalização, monitoramento e combate a queimadas ilegais e a crimes ambientais. Ele quer converter a floresta preservada em renda com biotecnologia, fármacos, cosméticos e manejo sustentável.
O candidato do PL defende ainda eliminar "superposições" entre Ibama, Funai e ICMBio. O programa não diz quais são. Também prevê consolidar o Cadastro Ambiental Rural e ampliar o pagamento por serviços ambientais a quem preserva ou recupera vegetação nativa.
Sobre povos indígenas e comunidades tradicionais, o plano de Lula fala em destinar terras públicas a unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas ou assentamentos, e em regularizar a posse da terra. O de Flávio propõe autonomia a indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em suas terras, com indenização por restrições ao usufruto e compensação a quem produz no território.
O histórico que a reportagem cita
A Agência Brasil lembra que, nos governos do PT, foram criados o Plano Clima, com oito planos de mitigação e 16 de adaptação, e 231 novas unidades de conservação, além de 21 terras indígenas demarcadas e R$ 19,7 bilhões para órgãos de fiscalização ambiental. O texto registra também críticas a Lula pelo apoio à pesquisa exploratória de petróleo na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, e questionamentos de entidades indígenas sobre a velocidade de processos de demarcação no Ministério da Justiça.
Sobre o governo de Jair Bolsonaro (2019 a 2022), a reportagem aponta R$ 7,4 bilhões para a fiscalização ambiental, nenhuma terra indígena demarcada e desmatamento de 45.612 km² na Amazônia. São os dados da Agência Brasil, e não constam do plano de Flávio.
O tema volta ao centro do debate com a crise de queimadas no Amazonas, que o Resenhando acompanhou na discussão sobre a ajuda federal ao estado. Os dois candidatos estão no segundo turno de 25 de outubro, e a comparação sobre política externa está neste outro texto.
Fonte: Agência Brasil, 13 de outubro de 2026.