Meta admite falhas técnicas na campanha de Lula, nega favorecer Flávio e vê Erika Hilton pedir CPI
Empresa detalhou quatro episódios ao TSE; deputada precisa de 171 assinaturas para investigar as big techs
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A Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, divulgou na sexta-feira (16) uma nota em que nega ter interferido nas eleições, mas admite que falhas técnicas temporárias atingiram a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No sábado (17), a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou na Câmara um requerimento para abrir uma CPI sobre a atuação das big techs no período eleitoral.
O que a Meta admitiu e o que negou
A empresa respondeu a críticas de internautas e a uma ação da coligação de Lula na Justiça Eleitoral. Chamou o processo de "narrativa política" baseada na "combinação de problemas técnicos sem relação entre si", segundo o Poder360, que publicou a íntegra da nota e da defesa entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Meta detalhou quatro episódios:
- Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula ficou fora do ar por pouco mais de uma hora, depois de um sistema automático classificar um anúncio como possível fraude envolvendo programas sociais. A empresa diz que o filtro mais rígido decorre de um acordo com a Advocacia-Geral da União assinado em abril.
- Em 7 de outubro, uma falha global travou a contagem de visualizações de reels em mais de 100 países por cerca de cinco horas. Segundo a Meta, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) relatou o mesmo problema, e o alcance do perfil de Lula naquele dia ficou acima da média recente.
- Em 9 e 10 de outubro, uma atualização de código impediu anunciantes de vários países de transformar posts do feed em anúncios.
- No assistente de inteligência artificial da empresa, buscas pelos sobrenomes "Lula" e "Bolsonaro" eram bloqueadas, mas primeiros nomes como "Luiz" e "Flávio" associados ao número de urna ainda geravam santinhos. A Meta diz que corrigiu a brecha no mesmo dia.
A empresa afirmou ainda que cerca de 70% das intervenções e restrições sobre as contas de Lula decorreram de decisões do próprio TSE. Na defesa, citou um parecer recente do tribunal que não encontrou evidência de manipulação deliberada de algoritmos para favorecer ou prejudicar candidaturas.
O que pede a CPI das big techs?
Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton disse que começou a colher assinaturas "para que, independentemente de qual seja o resultado das urnas, as big techs sejam investigadas". A abertura de uma CPI na Câmara exige ao menos 171 assinaturas. A deputada escreveu também que "tudo indica que as eleições brasileiras estão sofrendo interferência de bilionários estrangeiros", segundo o Estadão Conteúdo.
A mesma reportagem registra que, de acordo com O Globo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública acionou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Ministério Público Federal (MPF) para apurar práticas de moderação de conteúdo da Meta. A informação vem de uma única fonte, e o Resenhando não localizou confirmação do ministério até a publicação.
Por que a regra de responsabilidade das plataformas entra na disputa?
Na nota, a Meta voltou a criticar o arcabouço regulatório brasileiro para redes sociais. A empresa sustenta que a ampliação da responsabilidade das plataformas sobre conteúdo de terceiros, em vigor desde 2025, aumenta o risco de "aplicação excessiva" e de remoções indevidas. O Resenhando já publicou uma matéria sobre as regras fixadas pelo STF para as big techs e o risco de censura.
O debate tem lados que se cruzam. A campanha do PT fala em restrição ao alcance do candidato; a Meta diz que o candidato do PL também relatou falhas; e uma deputada de esquerda pede investigação das plataformas. O lado oposto da discussão também tem número: um teste da Anistia Internacional, noticiado pelo portal em agosto, mostrou o Facebook aprovando 8 de 15 anúncios com desinformação eleitoral.
O próximo passo está no TSE, onde a defesa da Meta já foi entregue, e na Câmara, onde o requerimento de Erika Hilton depende de chegar às 171 assinaturas. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro.