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PF e PGR negam depoimento de Vorcaro sobre filme de Lula; Padilha notifica a Veja

Revista atribuiu ao ex-banqueiro pagamento de R$ 30 milhões ao Instituto Lula; órgãos dizem que não houve depoimento

Neste texto3 tópicos
  1. O que dizem a PF e a PGR
  2. A notificação de Padilha e o pedido de perícia
  3. O caso Dark Horse, citado como paralelo

A Polícia Federal (PF) negou, na sexta-feira (9), que o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenha prestado depoimento com o conteúdo publicado pela revista Veja sobre dinheiro para um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No mesmo dia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representado pela Advocacia-Geral da União (AGU), notificou a revista e pediu direito de resposta. A Veja não havia divulgado resposta pública até a publicação deste texto.

A reportagem, assinada pelo jornalista Robson Bonin e intitulada "Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo", afirma que o empresário relatou, em proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR), ter pago R$ 30 milhões ao Instituto Lula. Em troca, segundo a revista, buscava acesso a fundos de pensão ligados ao Banco do Brasil, à Caixa e à Previ. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria intermediado a conversa. As informações são as da Veja, segundo o Poder360, que reproduziu o texto da revista.

O que dizem a PF e a PGR

Em nota, a PF afirmou que Vorcaro "não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito". O órgão acrescentou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa foram recusadas por não cumprirem os requisitos legais e que recebeu, também na sexta, uma notícia-crime pedindo providências urgentes para apurar os fatos ligados à publicação. O pedido foi encaminhado à área técnica.

A PGR disse que as tratativas foram conduzidas por advogados contratados pelo investigado, sem contato direto entre Vorcaro e integrantes do órgão. "Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa", declarou a Procuradoria.

A defesa do empresário disse não reconhecer a origem, a autenticidade e a integridade do áudio que a revista também divulgou. O advogado Daniel Bialski afirmou desconhecer o suposto financiamento e disse que não comandava a defesa quando as propostas de colaboração foram apresentadas. Segundo a Agência Brasil, ele afirmou ainda que não teve acesso a documento que comprove o pagamento.

Microfone de estúdio em fundo escuro, imagem ilustrativa sobre o áudio contestado
Imagem ilustrativa: a autenticidade do áudio divulgado pela Veja é contestadaFoto: Pexels (ilustração)

A notificação de Padilha e o pedido de perícia

A notificação extrajudicial enviada à Veja sustenta que as alegações que associam Lula e Padilha a recursos financeiros são "falsas, juridicamente nulas e carecem de qualquer fundamentação probatória". O documento cita as notas da PF, da PGR e da defesa de Vorcaro como contraponto à versão da revista e cobra a publicação do direito de resposta e a correção das informações.

O grupo Prerrogativas, formado por juristas do campo progressista, pediu à PF uma perícia no áudio. Em nota, a entidade disse haver suspeita de que a gravação tenha sido adulterada por montagem de trechos ou por inteligência artificial. O grupo também afirmou que não há informação sobre quando, onde e em que circunstâncias o material foi gravado. A suspeita é do grupo; nenhum laudo oficial sobre o áudio foi divulgado até agora.

O caso Dark Horse, citado como paralelo

A Agência Brasil lembra que o episódio é comparado ao do filme sobre Jair Bolsonaro, "Dark Horse". Nesse caso, segundo a agência, a ajuda de Vorcaro ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi comprovada em áudio cuja veracidade o próprio senador confirmou. Ainda conforme a agência, a PF registrou que Flávio pediu R$ 131 milhões a Vorcaro, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. Há diferença central entre os dois episódios: no do filme sobre Bolsonaro o áudio foi reconhecido pelo candidato e há investigação em curso; no caso da Veja, PF, PGR e a defesa de Vorcaro negam o depoimento e o áudio é contestado.

O ponto que continua em aberto é a origem do material. A revista não disse publicamente como obteve o áudio nem o conteúdo atribuído à proposta de delação, e PF e PGR afirmam que o depoimento descrito não existe. A notícia-crime em análise na PF e a resposta da Veja à notificação da AGU são os próximos desdobramentos. O segundo turno da eleição presidencial acontece em 25 de outubro, 16 dias depois da publicação da reportagem.

Leia também no Resenhando: PF aponta viagens pagas por Vorcaro a servidores do Banco Central e PF cumpre 49 mandados sobre o financiamento do filme Dark Horse.

Fontes: Agência Brasil, Poder360 e Rádio Itatiaia.