Eleições 2026

Direita elege mais senadoras que a esquerda e tem as quatro mulheres no 2º turno para governador

Congresso terá recorde de 18 senadoras e 109 deputadas em 2027; PL quase empata com o PT em número de deputadas eleitas

Neste texto4 tópicos
  1. O placar no Senado
  2. Governos estaduais
  3. Na Câmara, quase empate
  4. Ainda longe da paridade

Os partidos de direita foram os que mais elegeram senadoras em 2026 e são os únicos com mulheres na disputa pelos governos estaduais no segundo turno, segundo levantamento da Gazeta do Povo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2014 a 2026. O resultado vem no ano em que o Congresso bate o recorde de presença feminina, conforme a Agência Senado.

O placar no Senado

Das 12 senadoras eleitas em 4 de outubro, um recorde para uma única eleição, cinco são de partidos de direita, quatro de esquerda e três de centro. As cinco da direita são Michelle Bolsonaro (PL-DF), Bia Kicis (PL-DF), Caroline De Toni (PL-SC), Gracinha Caiado (União-GO) e Mara Rocha (Republicanos-AC). É o maior número da série iniciada em 2014 e a terceira eleição seguida em que a direita supera a esquerda: em 2018 e 2022, foram três contra uma.

A partir de fevereiro, o Senado terá 18 senadoras, 22% da Casa. A legislatura atual começou em 2023 com 11.

Governos estaduais

As quatro mulheres que disputam o segundo turno para governador em 25 de outubro são de direita: Celina Leão (PP), no Distrito Federal; Mailza Assis (PP), no Acre; Professora Maria do Carmo (PL), no Amazonas; e Professora Dorinha (União), no Tocantins. A esquerda não tem nenhuma candidata nessa fase. A única governadora eleita no primeiro turno foi Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco.

Na Câmara, quase empate

A Câmara terá 109 deputadas, 21% das cadeiras, contra 91 no início da atual legislatura. A direita saltou de 11 deputadas em 2014 para 44 agora. Somados, os partidos de esquerda elegeram 47. Entre os partidos, o PT lidera com 25 deputadas e o PL vem logo atrás, com 22.

"Proporcionalmente, mais mulheres foram eleitas pelo PT, foram 36% contra 18% no PL. Mas, em números absolutos, é quase a mesma coisa", afirmou à Gazeta a cientista política Malu Gatto, doutora pela Universidade de Oxford. Para ela, o PL trabalha desde 2018 para reduzir a resistência do eleitorado feminino, e Michelle Bolsonaro virou a figura central dessa estratégia, fazendo campanha para candidatas do partido e de aliados.

Ainda longe da paridade

Mesmo com o recorde, as mulheres, que são cerca de 51% da população, ocuparão um quinto do Congresso. No ranking da União Interparlamentar, com base em 2022, a Câmara brasileira aparece em 138º lugar entre 183 países, e o Senado em 62º entre 79.

A cota de 30% de candidaturas femininas existe desde 1997, mas só passou a valer de fato em 2009, quando a lei trocou "reservar" por "preencher". Desde 2022, a Emenda Constitucional 117 obriga os partidos a destinar às mulheres ao menos 30% do fundo eleitoral e do tempo de rádio e TV.

A primeira deputada do país, Carlota Pereira de Queirós, foi eleita em 1933. As primeiras senadoras eleitas, Júnia Marise e Marluce Pinto, chegaram ao Senado em 1991.

Leia também no Resenhando: abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai no 1º turno e como consultar o local de votação no 2º turno.