Eleições 2026

Congresso terá recorde de 18 senadoras e 109 deputadas em 2027; DF elege três mulheres ao Senado

Reportagem da Agência Senado mostra 12 eleitas em 2026 e aponta o peso dos partidos na distância até a paridade

Neste texto3 tópicos
  1. O que o Distrito Federal tem de inédito
  2. Por que a conta ainda fica longe da população
  3. Que regras já valem

O Congresso Nacional terá em 2027 a maior bancada feminina da sua história: 18 senadoras, ou 22% do Senado, e 109 deputadas federais, 21% da Câmara. Os números constam de reportagem da Agência Senado publicada em 16 de outubro.

A legislatura atual começou em 2023 com 11 senadoras e 91 deputadas. Doze mulheres foram eleitas para o Senado em 2026, o que também é recorde para uma única eleição. Todas tomam posse em fevereiro.

Gráfico de barras: 11 senadoras e 91 deputadas na legislatura atual contra 18 senadoras e 109 deputadas eleitas em 2026
Bancada feminina na legislatura iniciada em 2023 e entre os eleitos de 2026Gráfico: Resenhando, com dados da Agência Senado

O que o Distrito Federal tem de inédito

O DF será o primeiro estado em que as três cadeiras do Senado ficam com mulheres. A senadora Damares Alves (Republicanos) continua no mandato. Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas em 4 de outubro, chegam em fevereiro. Duas das três vagas do DF, portanto, passam a ser do PL.

O Resenhando já mostrou os percentuais de candidaturas de mulheres por partido definidos pelo TSE para esta eleição.

Por que a conta ainda fica longe da população

As mulheres são cerca de 51% da população brasileira e, segundo a reportagem, mais da metade do eleitorado. Na bancada, ficam perto de um quinto das cadeiras. No ranking de igualdade de gênero da União Interparlamentar, que usa o resultado de 2022, a Câmara brasileira ocupa o 138º lugar entre 183 países e o Senado, o 62º entre 79. No México, cerca de 50% do Senado é feminino; na Argentina, 47%.

A socióloga Vanilda Chaves, pesquisadora de gênero e política, atribui o atraso à estrutura dos partidos. "As mulheres estão nos partidos, são filiadas, compõem a base, mas não ocupam os espaços de decisão", disse à Agência Senado. Para ela, presidência, tesouraria e secretaria-geral seguem nas mãos de homens, e são esses cargos que distribuem o dinheiro de campanha.

A cientista política Mayra Goulart, da UFRJ, afirma que parte das eleitas chegou por estruturas de parentesco. "Muitas são esposas, filhas ou irmãs de políticos tradicionais e têm o sobrenome deles", disse. Ela defende a lista fechada com alternância de gênero, modelo da Argentina e do México, mas avalia que o sistema "dificilmente seria adotado no Brasil".

Que regras já valem

A lei de 1997 criou a cota de 30% de candidaturas femininas nas eleições proporcionais. Em 2009, a palavra "reservar" foi trocada por "preencher", e a cota passou a ser cumprida. Desde 2022, a Emenda Constitucional 117 obriga os partidos a destinar às mulheres ao menos 30% do fundo eleitoral e do tempo de rádio e TV.

Nas disputas estaduais, 21 chapas foram definidas no primeiro turno, e dez têm mulher como vice. Só uma é encabeçada por mulher: Raquel Lyra, em Pernambuco. No segundo turno, quatro das 12 chapas em disputa em seis estados têm mulher na cabeça, e outras quatro a têm como vice.

Vanilda Chaves também avalia que a maioria das eleitas é de partidos de direita e que isso traz, segundo ela, risco de retrocesso em pautas já conquistadas. A reportagem da Agência Senado não registra resposta dos partidos a essa avaliação.

As 12 senadoras eleitas em 2026 tomam posse em fevereiro. É nessa data que a bancada feminina chega aos 18 nomes no Senado, hoje com 11.