Eleições 2026

Ato pró-Lula ocupa 7 quarteirões da Paulista; Poder360 calcula até 261 mil e PT fala em 1 milhão

Poder360 mediu 65 mil m² ocupados no ato pró-Lula de 11/10 em SP: capacidade de 261 mil pessoas. PT e aliados falam em 1 milhão, sem metodologia.

Neste texto3 tópicos
  1. Como o Poder360 chegou a 261 mil
  2. O que Lula disse antes do ato
  3. Atos em outras cidades e a agenda de Flávio

O ato pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo, ocupou sete quarteirões da via, da Rua Haddock Lobo à Alameda Joaquim Eugênio de Lima. O Poder360 calculou que o trecho comportaria cerca de 261 mil pessoas, estimativa de capacidade e não de público. O PT e aliados do candidato falaram em 1 milhão de presentes, número que o jornal não conseguiu reproduzir.

A Agência Brasil descreveu o evento, batizado de Marcha Pela Democracia, como uma manifestação que reuniu "milhares" e "ocupou a maior parte da Avenida Paulista". Segundo a agência, a organização foi feita de forma independente por movimentos sociais e por fandoms, grupos de admiradores de artistas pop como Lady Gaga, BTS, Beyoncé e Taylor Swift. Também convocaram torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo e entidades estudantis.

Como o Poder360 chegou a 261 mil

O cálculo parte da área medida: calçadas, asfalto e canteiro central dos sete quarteirões somam 65.177,42 metros quadrados. Com a densidade de quatro pessoas por metro quadrado, o teto teórico é de aproximadamente 261 mil. O próprio veículo ressalva que não se trata de contagem dos participantes.

Uma estimativa independente com imagem aérea não foi possível, segundo o Poder360. A equipe de segurança do Palácio do Planalto não autorizou o uso de drone pelo jornal, procedimento adotado em eventos com a presença do presidente. Alguns grupos políticos, incluindo a campanha de Lula, receberam autorização e divulgaram imagens aéreas. O Mídia Ninja também publicou vídeo do alto.

O Poder360 observou ainda que, para comportar 1 milhão de pessoas nessa densidade, seriam necessários 250 mil metros quadrados, 3,8 vezes a área medida. Isso exigiria cerca de 27 quarteirões ocupados, e a avenida tem 16.

O que Lula disse antes do ato

Em entrevista à imprensa antes do início, o candidato afirmou que a semana será decisiva para a eleição. Ele citou a votação no Senado da proposta que acaba com a escala 6x1, marcada para quarta-feira (14), e disse que a oposição tenta empurrá-la para depois do segundo turno, em 25 de outubro. "Já está marcada a data da votação, portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor", declarou.

Lula voltou a criticar o corte de gastos anunciado pelo adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que chamou de "tesouraço". Para o presidente, a medida poderia recair sobre os mais pobres e aposentados. Também mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que cria o Ministério da Segurança Pública e deve avançar no Congresso nesta semana.

Do alto de um carro de som diante do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Lula criticou a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia e defendeu os resultados do seu governo na educação. Citou a alta abstenção do primeiro turno, de 21,08%, e pediu que eleitores acima de 70 anos votem.

Atos em outras cidades e a agenda de Flávio

Apoiadores do PT fizeram atos no domingo em Maceió, no Rio de Janeiro (Copacabana) e em Niterói (Icaraí), em Belo Horizonte, Goiânia e Salvador. Em Brasília, houve manifestações em feiras e ruas, segundo a Agência Brasil.

Do outro lado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) convocou apoiadores de Flávio para atos em pelo menos 14 cidades, no cronograma que chamou de "Bloquinho 22". O primeiro será na quinta-feira (15), às 19h, em Araçuaí (MG). Estão na lista Vitória, Salvador, São Paulo, Manaus e Belo Horizonte. Na véspera do segundo turno, sábado (24), há atos previstos em Juiz de Fora (MG), onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado em 2018, e no Rio de Janeiro.

A disputa por números de público acompanha a reta final da campanha. As duas candidaturas já levaram à Justiça Eleitoral embates sobre propaganda, como mostram os casos do TSE sobre os anúncios do PT acerca da escala 6x1 e da suspensão revertida do canal "Exército do Lula".

Não houve, até a publicação, manifestação da campanha de Flávio sobre a estimativa de público do ato de São Paulo. As informações são da Agência Brasil e do Poder360, de 11 de outubro de 2026.