Economia

TCU aprova contas do Banco Central de 2025 e dá quitação a Galípolo

Segunda Câmara levanta a suspensão de uma semana e arquiva o processo; o caso Master segue em autos separados

A 2ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) julgou regulares, nesta terça-feira, 20, as contas do Banco Central referentes a 2025 e deu quitação plena ao presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e a outros oito dirigentes. O Poder360 noticiou a decisão, e o texto do Acórdão 5.184/2026 confirma o resultado.

O julgamento estava suspenso desde 13 de outubro. Naquela data, o mesmo colegiado, sob relatoria do ministro Jorge Oliveira, tinha decidido esperar o fim da apuração sobre a atuação do BC no caso Banco Master. A decisão desta terça levanta esse sobrestamento e arquiva o processo.

O que mudou em uma semana

O Acórdão 5.163/2026, de 13 de outubro, seguiu pedido do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU). O órgão queria aguardar o trânsito em julgado do processo TC 022.950/2025-7, relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus, que apura possível omissão do BC na supervisão do Master e de suas subsidiárias. O banco foi liquidado em novembro de 2025.

No acórdão novo, o tribunal registra que o próprio MPTCU, "embora tenha suscitado questão examinada em outro processo", reconheceu que os elementos dos autos "não evidenciam irregularidades capazes de comprometer a regularidade das contas". A proposta subsidiária do Ministério Público passou a coincidir com a da unidade técnica, a AudBancos, que desde o início recomendava julgar as contas regulares.

Segundo o Poder360, Oliveira mudou de entendimento durante a sessão. Ele passou a considerar que a vinculação entre as contas e a investigação do Master não era necessária, porque os documentos do processo de contas não indicavam falhas graves.

Quem recebeu quitação e o que ficou de fora

A quitação alcança nove responsáveis: Galípolo, Rodrigo Alves Teixeira, Izabela Moreira Correa, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Ailton de Aquino Santos, Renato Dias de Brito Gomes, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Diogo Abry Guillen. O acórdão não traz determinações nem recomendações ao Banco Central.

A decisão não encerra a investigação sobre o Master. O TC 022.950/2025-7 segue com Jhonatan de Jesus, que presidiu a sessão desta terça. Também continua parado o TC 008.216/2025-8, de relatoria de Oliveira, sobre a operação entre o BRB e o Master. Esse processo aguarda elementos da Reclamação 88.121, em trâmite no Supremo Tribunal Federal.

O resultado vale para a prestação de contas anual, que avalia legalidade dos atos de gestão, uso de recursos e cumprimento de responsabilidades. A apuração sobre fiscalização do Master corre em autos separados e pode produzir conclusões próprias.

O contexto do caso Master na Corte inclui o impasse de janeiro, quando Jhonatan de Jesus determinou uma inspeção presencial no BC e o banco contestou a competência individual para isso. O ministro suspendeu a própria medida e levou a controvérsia ao Plenário. Em 12 de janeiro, depois de reunião com Galípolo, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, disse que um entendimento tinha afastado a necessidade de medida cautelar.

Outra frente de fiscalização do tribunal é a lista de 6,1 mil gestores com contas irregulares enviada ao TSE. As investigações da Polícia Federal sobre o Master estão resumidas em matéria sobre as quatro frentes do caso.

O acórdão não traz manifestação do Banco Central. O documento está disponível na íntegra em PDF, e a numeração pode ser conferida no sistema de acórdãos do TCU. O próximo passo no tribunal é o julgamento do TC 022.950/2025-7, ainda sem data.