Economia

TCU aprova contas do Banco Central de 2025 e mantém o caso Master em processo separado

Segunda Câmara deu quitação plena a nove gestores, entre eles Gabriel Galípolo; apuração sobre a liquidação do banco segue sem data de julgamento

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta terça-feira, 20, as contas do Banco Central referentes a 2025 e deu quitação plena aos nove responsáveis pela gestão analisada, entre eles o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. A decisão é da Segunda Câmara da Corte, com relatoria do ministro Jorge Oliveira.

O julgamento estava parado havia uma semana. A pedido do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), os ministros haviam decidido esperar o trânsito em julgado da deliberação sobre a atuação do BC no caso Banco Master, porque os fatos apurados ali poderiam alcançar a avaliação da gestão. Na sessão de hoje, o relator voltou atrás nesse ponto.

Segundo a Agência Brasil, Oliveira entendeu que a prestação de contas de 2025 deve ser examinada com base nos elementos do próprio processo, e esses documentos não mostravam irregularidade capaz de comprometer a regularidade das contas. A área técnica do tribunal, a Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (AudBancos), já havia recomendado a aprovação. Valor Econômico, Estadão, Folha de S.Paulo e Poder360 publicaram nesta terça que o TCU abriu mão de esperar o desfecho do caso Master.

A aprovação não livra o Banco Central da apuração sobre o Master. Esse exame corre em processo separado, sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, e até esta terça não havia data para o plenário julgá-lo. O que está em análise é como o BC fiscalizou e supervisionou o banco antes da liquidação extrajudicial, decretada em novembro de 2025.

A decisão desta terça, portanto, encerra só a análise anual da gestão. Ela não declara regulares todos os atos do Banco Central ligados ao Master, e a própria Agência Brasil faz essa ressalva.

A disputa entre os dois órgãos vem do início do ano. Em janeiro, Jhonatan de Jesus determinou uma inspeção para examinar os procedimentos que levaram à liquidação. O Banco Central contestou a ordem e argumentou que a medida deveria passar por decisão colegiada. A inspeção foi suspensa para que o plenário decidisse. Depois de uma reunião com Galípolo, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, disse que o entendimento entre as instituições tornou desnecessária uma cautelar para suspender a liquidação. A investigação, no entanto, seguiu aberta.

O caso Master já rendeu outras frentes de apuração. O Resenhando mostrou como a liquidação de uma gestora nas Ilhas Cayman ligada a Daniel Vorcaro expôs cerca de R$ 700 milhões, e também reuniu as quatro apurações no STF com potencial de atingir a eleição de 2026.

O tribunal publica pautas e acórdãos no portal do TCU. A próxima etapa a acompanhar é a inclusão do processo sobre a atuação do Banco Central no Master na pauta do plenário, ainda sem data.