Economia cresce 0,5% em agosto e reverte dois meses de queda, aponta FGV
Monitor do PIB do Ibre/FGV mostra alta de 1,8% em 12 meses, com impulso da indústria extrativa e dos serviços
A economia brasileira cresceu 0,5% em agosto na comparação com julho, segundo o Monitor do PIB, estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) divulgado nesta segunda-feira, 19. O resultado interrompe dois meses de queda e leva a alta acumulada em 12 meses a 1,8%.
O Monitor é uma estimativa mensal do Produto Interno Bruto (PIB), calculada com dados de indústria, comércio, serviços e agropecuária. Serve de prévia para o número oficial, que o IBGE publica por trimestre. A divulgação do terceiro trimestre está marcada para 2 de dezembro. No segundo trimestre, segundo a Agência Brasil, o IBGE apurou alta de 0,5% no trimestre e de 1,9% em 12 meses.
O que puxou o resultado de agosto
Pelo lado da oferta, a FGV aponta a indústria extrativa e a continuidade da expansão dos serviços. O pesquisador associado do Ibre Claudio Considera resume na nota do instituto que, pela ótica da demanda, exportações e consumo do governo contribuíram para a alta, "a despeito da desaceleração do consumo das famílias".
Os números do trimestre móvel encerrado em agosto mostram onde a economia se apoia:
- o consumo das famílias subiu 0,4%, a menor taxa desde o trimestre encerrado em outubro de 2025, com os bens duráveis como principal contribuição positiva;
- o investimento (formação bruta de capital fixo) avançou 1,6%, sustentado pela construção, enquanto máquinas e equipamentos seguiram com efeito negativo;
- as exportações cresceram 2,5%, depois de 0,4% no período anterior;
- as importações subiram 6,4%, contra 4,0% no trimestre encerrado em julho.
Em agosto, a taxa de investimento ficou em 19,1% do PIB. Em valores correntes, a FGV estima o PIB acumulado de janeiro a agosto em R$ 9,020 trilhões.

Quanto da queda de junho e julho voltou
Pela conta da redação, as perdas de junho (0,9%) e julho (0,3%) somam pouco mais de 1 ponto percentual, e a alta de agosto cobre menos da metade delas. Na comparação com agosto de 2025, a atividade cresceu 1,5%; no trimestre encerrado em agosto, 1,7%.
Outros termômetros apontam na mesma faixa. O IBC-Br do Banco Central subiu 0,3% em agosto e 1,6% em 12 meses. Para o ano fechado, o boletim Focus desta segunda-feira projeta crescimento de 1,83%, a Secretaria de Política Econômica da Fazenda previu 2% em setembro e o FMI trabalha com 2,2% em 2026.
Considera avalia que, num quadro de inflação persistente que obriga a política monetária a ficar contracionista, a economia "apresenta capacidade de recuperação". O custo desse aperto aparece, por exemplo, na reação de empresários e centrais ao corte da Selic para 13,75%, tratado como tímido pelas entidades.
O próximo dado do Ibre sobre o consumidor sai em 26 de outubro, com a Sondagem do Consumidor de outubro. O IBGE só confirma ou corrige o quadro do terceiro trimestre em 2 de dezembro.