Segurança

Força Nacional vai atuar por 90 dias na região da usina de Belo Monte, no Pará

Portaria do Ministério da Justiça publicada nesta segunda (19) prevê coordenação da Polícia Federal

Neste texto3 tópicos
  1. O que a portaria prevê
  2. A usina e o histórico de disputas na região
  3. O que acompanhar

O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o emprego da Força Nacional de Segurança Pública por 90 dias na região da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A Portaria nº 1.321/2026 foi publicada nesta segunda-feira (19), segundo a Agência Brasil.

O que a portaria prevê

A tropa dará apoio a órgãos de segurança pública federais e estaduais, com foco na preservação da ordem pública e na proteção de pessoas e do patrimônio. A ação tem caráter temporário e planejado, e a coordenação ficará com a Polícia Federal, em conjunto com as forças do Pará.

O efetivo não consta do resumo da portaria divulgado pela agência. O número de agentes será definido pela Diretoria da Força Nacional, ligada à Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério. O órgão que pediu o reforço responde pelo apoio logístico e deve fornecer a infraestrutura necessária à operação.

Também não aparecem no texto divulgado o nome de quem fez o pedido nem o motivo da medida. Não há, no material da Agência Brasil, manifestação da Norte Energia, concessionária da usina, sobre a portaria. O espaço segue aberto para a empresa e para o ministério.

A usina e o histórico de disputas na região

Belo Monte fica no Rio Xingu e foi inaugurada oficialmente em 5 de maio de 2016, há dez anos. O empreendimento foi pensado em meados da década de 1970 e ganhou repercussão internacional quando surgiu a proposta de desviar 80% do fluxo do rio, em um trecho de 130 quilômetros, para abastecer o reservatório. Sob administração da Norte Energia desde 2010, a usina atende, em média, a 5% da demanda anual de energia elétrica do país. A empresa informa ter investido mais de R$ 8 bilhões nos compromissos socioambientais assumidos no licenciamento.

A região também é palco de disputa judicial. Em março de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino reconheceu o direito de comunidades indígenas à participação nos lucros da hidrelétrica, em ação da Associação Yudjá Miratu da Volta Grande do Xingu. A entidade alegou omissão do Congresso por não regulamentar o dispositivo constitucional que prevê a participação.

Em 2 de dezembro de 2025, Dino determinou que o governo federal liberasse R$ 19 milhões a essas comunidades, valor depositado em conta específica a partir de repasses mensais da Norte Energia entre março e outubro daquele ano. Segundo a Agência Brasil, o valor deveria reforçar o benefício do Bolsa Família pago aos indígenas. Nas terras Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira Bacajá, as comunidades relataram ao tribunal menos água no rio, queda na pesca e problemas de navegação desde a construção da usina.

Em maio deste ano, a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e outras entidades divulgaram carta aberta sobre as comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadoras do médio Xingu. O documento cita o agravamento das violações com as secas extremas na Amazônia.

O que acompanhar

O texto completo da Portaria nº 1.321/2026, publicada no Diário Oficial da União, é o documento a consultar para os pontos que o resumo não informa. Sobre outras ações integradas de segurança pública, a Resenhando publicou Força-tarefa muda o alvo: estrutura da facção em vez de apreensão de droga e Operação Força Integrada II cumpre 263 mandados e prende 82 por ligação com facção.