Economia

FMI corta crescimento do Brasil para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, citando juros altos e menos apoio fiscal

Perspectiva Econômica Global também reduz a previsão da América Latina; Argentina sofre o maior corte entre as grandes economias da região

Neste texto4 tópicos
  1. Por que o Brasil perdeu fôlego na projeção
  2. O quadro mundial e a energia
  3. Como ficam os vizinhos
  4. Riscos apontados

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a projeção de crescimento do Brasil para 2,2% em 2026 e para 1,9% em 2027. Em julho, as estimativas eram de 2,4% e 2,2%. A revisão consta do relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado nesta terça-feira (13) em Bangcoc, e foi noticiada pela Agência Brasil.

O Fundo também reduziu a previsão para a América Latina e o Caribe: 2,3% neste ano, contra 2,4% projetados em julho, e 2,5% em 2027, abaixo dos 2,7% anteriores. Para o FMI, a maior parte da região aproveita pouco o boom da inteligência artificial (IA), que ajudou outras economias a absorver o choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio.

Por que o Brasil perdeu fôlego na projeção

Em julho, o FMI esperava que o crescimento brasileiro permanecesse "resiliente" em 2026. Agora, projeta desaceleração em 2027 e cita três razões: condições monetárias ainda restritivas, destinadas a levar a inflação de volta à meta, a retirada do apoio fiscal do governo e a incerteza global.

O Copom cortou a Selic para 14% em agosto, como o Resenhando registrou, e os juros seguem como o principal componente dessa restrição monetária. O relatório do FMI não detalha, na versão resumida pela agência, quanto cada fator pesa na revisão.

O quadro mundial e a energia

Mesmo com o corte na América Latina, o Fundo elevou levemente a previsão de crescimento global deste ano, de 3% para 3,1%. Atribui a resiliência da "economia global dividida" ao redirecionamento dos fornecimentos de energia e aos investimentos puxados pela IA. O petróleo Brent está cerca de 45% acima do nível anterior à guerra. Combustível e energia mais caros pressionam famílias e empresas, e o temor de inflação persistente levou os custos globais de financiamento a patamares que não se viam havia várias décadas, segundo o FMI.

Como ficam os vizinhos

  • Argentina: maior corte entre as três economias listadas em julho. O FMI espera alta de 2,1% do PIB em 2026, ante 4,5% em 2025 e abaixo dos 3,5% previstos em julho. Para 2027, a projeção caiu de 4% para 3,5%. A inflação deve cair para 32,5% neste ano, de 41,9% em 2025.
  • México: caminho oposto em 2026, com a previsão elevada de 1,2% para 1,5%, por causa das exportações, inclusive via cadeias de suprimentos de IA, e do investimento. Para 2027, porém, o corte foi de 1,9% para 1,8%.
  • Chile: desaceleração de 2,5% para 0,6% neste ano.
  • Bolívia: encolhimento de 3% em 2026, após contração de 1,6% em 2025.
  • Venezuela: inflação vai de 252% para 467,9%.

Como o Resenhando mostrou hoje, o ajuste argentino tem custo social que aparece em outros indicadores, como o número de novos aposentados, e agora também aparece na revisão do FMI para o crescimento do país.

Riscos apontados

O FMI afirma que os riscos continuam inclinados para baixo. Turbulência nos mercados poderia atingir os emergentes por custos mais altos da dívida pública, pressão sobre as moedas e condições financeiras locais mais apertadas. No caso brasileiro, o próprio Fundo associa a desaceleração de 2027 à combinação de juros restritivos e retirada do apoio fiscal.