Lula chama Marco Rubio de bolsonarista e anti-latino-americano
Presidente criticou o secretário de Estado dos EUA durante visita ao Inpe, em São José dos Campos, e disse que ele age em sentido contrário ao que trata com Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de "bolsonarista" e de "anti-latino-americano" na sexta-feira, 7 de agosto, durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O presidente estava no instituto para acompanhar a divulgação de dados de desmatamento.
"Trump tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o Marco Rubio", disse Lula, conforme registro do InfoMoney. Ainda segundo o presidente, Rubio seria "um anti-latino-americano, ou um latino-americano frustrado". A declaração foi reproduzida também pela Revista Oeste, que registrou a fala de que o secretário "odeia o Brasil".
Na mesma fala, Lula sustentou que o secretário de Estado age em sentido contrário ao que teria sido tratado diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o presidente brasileiro, essa diferença explicaria as medidas adotadas por Washington contra o Brasil, entre elas o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e as sanções aplicadas a autoridades.
O que o governo americano já respondeu
Não há registro de manifestação do Departamento de Estado especificamente sobre a declaração de 7 de agosto. Em 23 de julho, ao ser questionado sobre outra fala de Lula, que havia desafiado Rubio a "montar um comitê" em apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, o órgão respondeu que os Estados Unidos mantêm interesse "histórico e global" na liberdade de expressão e na integridade dos processos democráticos em todo o mundo, incluindo o Brasil. A resposta foi divulgada pelo Poder360.
Rubio é o principal nome da política externa do segundo governo Trump e tem sido apontado pelo Planalto como o articulador das medidas restritivas contra autoridades brasileiras. O secretário nasceu em Miami, filho de imigrantes cubanos, e construiu a carreira no Senado americano com forte atuação em temas latino-americanos, sobretudo Cuba e Venezuela.
A escalada com Washington
Nas declarações recentes, Lula tem separado Trump, com quem afirma manter canal direto de conversa, do restante da estrutura do governo americano, à qual atribui as decisões que atingem o Brasil.
O Departamento de Estado tem respondido em termos institucionais, sem tratar do confronto pessoal e mantendo a referência aos processos democráticos no Brasil.
Rubio comanda a diplomacia americana desde o início do segundo mandato de Trump. Nascido em Miami, filho de imigrantes cubanos, construiu a carreira política na Flórida e chegou ao Senado americano em 2011, com atuação concentrada em temas latino-americanos, sobretudo Cuba e Venezuela. Foi pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos em 2016.
A sequência de atritos entre Brasília e Washington em 2026 combina três frentes. A primeira é comercial, com o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. A segunda é o uso de sanções individuais contra autoridades brasileiras. A terceira é consular, com revogações de visto de parte a parte, incluindo a de uma embaixadora brasileira nos Estados Unidos e a resposta recíproca adotada pelo governo brasileiro contra um funcionário americano.
Cada uma dessas frentes tem efeito prático distinto. A tarifa atinge o exportador e aparece na balança comercial. A sanção individual atinge patrimônio e mobilidade de quem é alvo. A medida consular tem peso simbólico e afeta a rotina das representações diplomáticas.
A troca de declarações ocorre em ano eleitoral e com a relação comercial entre os dois países ainda sob efeito das tarifas americanas.