Economia

Dólar fecha a R$ 5,226, maior valor desde março, e a PTAX ainda fica abaixo do pico de agosto

Câmbio comercial sobe 0,83% no maior fechamento desde 30 de março, mas a PTAX do Banco Central ainda está abaixo da de 14 de agosto.

O dólar comercial fechou esta segunda-feira, 28, vendido a R$ 5,226, alta de 0,83%, no maior fechamento desde 30 de março. O Ibovespa caiu 0,26%, aos 182.991,13 pontos, no quarto pregão consecutivo de baixa, segundo dados divulgados pela Agência Brasil ao fim da sessão.

A moeda acompanhou a valorização do dólar no exterior. O rendimento do título de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos terminou o dia em 5,2319%, contra 5,181% na sexta-feira, 25. Juro mais alto em economia avançada reduz o apetite por ativo de país emergente. No mesmo dia, o petróleo Brent subiu 0,40%, a US$ 97,83, e o WTI avançou 0,21%, a US$ 92,60.

O que diz a série oficial do Banco Central

A taxa que vale para contrato, balanço e imposto não é a cotação de tela, e sim a PTAX de venda, apurada pelo Banco Central em quatro janelas ao longo do dia. Na consulta feita pelo Resenhando à base do Banco Central, a PTAX de venda de 28 de setembro fechou em R$ 5,2132.

Pela PTAX, portanto, o fechamento desta segunda ainda está abaixo do registrado em 14 de agosto, quando a taxa foi a R$ 5,2236. O recorde de quase seis meses vale para o dólar comercial à vista, não para a referência oficial. A diferença entre as duas séries é de pouco mais de um centavo, mas é ela que define qual data entra no balanço de quem paga em dólar.

Gráfico de linha da PTAX de venda entre agosto e setembro de 2026, com marcação em 14 de agosto e 28 de setembro
Pela PTAX, o fechamento de 28 de setembro (R$ 5,2132) ainda está abaixo do de 14 de agosto (R$ 5,2236)Gráfico: Resenhando, com dados do Banco Central

No ano, a PTAX partiu de R$ 5,4372 em 2 de janeiro, que segue sendo o maior valor de 2026, e chegou a rodar abaixo de R$ 5,09 no início de setembro. O movimento das últimas cinco sessões desfez a queda do mês: de 21 a 28 de setembro a taxa subiu de R$ 5,1117 para R$ 5,2132, avanço de 1,99% em cinco pregões.

Como ficam as contas externas e a projeção do mercado

O Banco Central informou nesta segunda que as transações correntes fecharam agosto com déficit de US$ 5,055 bilhões. O investimento direto no país somou US$ 7,396 bilhões no mês, o que cobre o rombo do período. Em julho, o déficit havia sido de US$ 9,374 bilhões, com US$ 6,968 bilhões de investimento direto: em agosto o buraco encolheu e o financiamento externo cresceu. Os números constam das séries 22701 e 22885 do sistema de estatísticas do próprio Banco Central.

No Boletim Focus divulgado nesta segunda, com data de coleta em 25 de setembro, a mediana das instituições financeiras para o câmbio no fim de 2026 seguiu em R$ 5,20. A projeção para o IPCA deste ano subiu de 4,92% para 4,99%, e a de 2027 passou de 4,30% para 4,31%. A mediana para a Selic no fim do ano continuou em 13,5% ao ano, abaixo dos 13,75% em vigor desde a reunião do Copom de setembro. Para as transações correntes, o mercado projeta déficit de US$ 60 bilhões no ano.

Ou seja: com o fechamento desta segunda, o dólar já está acima da projeção que o próprio mercado fez para o fim do ano, três dias antes. Se a mediana do Focus se confirmar, a moeda cede cerca de meio centavo nos três meses que faltam.

No cenário doméstico, a Agência Brasil registrou que as atenções seguiram voltadas para a eleição presidencial, sem que as pesquisas divulgadas ao longo do dia alterassem o quadro de disputa apertada. O Banco Central não comenta a variação diária da taxa de câmbio, e o Ministério da Fazenda não divulgou nota sobre o movimento até a publicação desta reportagem.

O câmbio se soma a dois números que já pressionavam a conta pública neste mês: a parcela da dívida atrelada à Selic chegou a 52,74%, o maior nível da série, e as contas externas fecharam agosto no vermelho. O próximo dado do calendário é a ata do Copom e o Focus da semana que vem, que mostrará se a projeção de R$ 5,20 para o fim do ano resiste ao fechamento desta segunda. A série completa da PTAX está aberta na consulta de cotações do Banco Central.

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