Eleições 2026

Carter Center desiste de observar a eleição brasileira por falta de recursos

Entidade americana comunicou ao TSE que não enviará missão em outubro; corte de verba dos Estados Unidos derrubou cerca de 10% do orçamento anual

O Carter Center informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não enviará missão para observar as eleições brasileiras de outubro deste ano. A desistência foi atribuída pela organização a uma crise de financiamento, provocada pelos cortes na assistência internacional promovidos pelo governo dos Estados Unidos.

A entidade fundada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter era a única organização dos Estados Unidos convidada pelo tribunal a acompanhar a disputa. Com a saída, o pleito perde o observador americano em uma eleição presidencial marcada por atrito entre Brasília e Washington na área comercial.

Segundo a organização, os cortes na assistência internacional reduziram cerca de 10% do orçamento anual, com perdas estimadas em aproximadamente US$ 11 milhões. Parte dos doadores europeus, por sua vez, redirecionou recursos para a missão da União Europeia no Brasil, o que estreitou ainda mais o caixa disponível para a operação brasileira.

A entidade também esbarrou na própria regra interna. O Carter Center não pode receber recursos do país onde atua como observador, o que impede compensar a perda de financiamento com doação brasileira ou com aporte do próprio tribunal.

Quem continua na lista do TSE

A ausência não deixa a eleição sem observação internacional. O TSE mantém confirmada a presença de outros grupos, com a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia à frente da lista de missões credenciadas para outubro.

As missões de observação não têm poder de intervenção. Elas acompanham a votação, a apuração e o ambiente da campanha, e produzem relatório com recomendações ao tribunal e aos partidos. O convite parte da própria Justiça Eleitoral, que define quantas entidades credencia e a que fases do processo elas têm acesso.

O Carter Center acompanhou eleições brasileiras em ciclos anteriores e é uma das organizações com maior histórico nesse tipo de trabalho na América Latina. A entidade atua desde 1989 em missões de observação em dezenas de países.

Para 2026, aceitaram compor a missão de observadores a OEA, a União Europeia, o Parlamento do Mercosul (Parlasul), a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e a rede de organismos eleitorais da CPLP. União Africana e Liga Árabe também receberam convite do tribunal. Em 2022, 13 organismos participaram da observação do pleito.

Podem pedir credenciamento organismos internacionais e regionais, governos estrangeiros, instituições de ensino e especialistas com experiência eleitoral reconhecida. Todos passam por credenciamento prévio do TSE e circulam identificados por crachá durante o período de observação, que abrange a preparação do pleito, a votação, a apuração, a totalização e os procedimentos de auditoria do sistema eletrônico.

O corte americano por trás da decisão

A redução do orçamento tem origem na política de contenção de gastos com cooperação internacional adotada pelo governo de Donald Trump. O desmonte da estrutura de assistência externa dos Estados Unidos atingiu organizações que dependiam desse repasse para manter operações em outros países, entre elas a criada por Jimmy Carter.

Para o TSE, o efeito é mais simbólico que operacional, já que o credenciamento de observadores não altera o funcionamento da urna nem a totalização. A ausência, porém, retira do processo a entidade estrangeira mais citada por atores políticos brasileiros quando o assunto é auditoria externa do voto.

Procurado, o tribunal não divulgou nota específica sobre a desistência até a publicação desta reportagem. A lista definitiva de missões credenciadas costuma ser fechada nas semanas que antecedem o primeiro turno.

A eleição de outubro renova a Presidência da República, o Senado, a Câmara dos Deputados, os governos estaduais e as assembleias legislativas. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o segundo, para 25 de outubro.

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